Marcio Andrade/ dezembro 6, 2017/ Reviews, Séries e TV/ 0 comments

Há exatos dois dias atrás estava arrumando minha estante de livros e vi o exemplar da Divina Comédia de Dante que havia comprado numa edição especial que também contém o texto original em Italiano. aquilo me fez lembrar de uma conversa que tive a pouco tempo de obras atemporais – Sim, eu cheguei a citar isso em uma resenhas anteriores, mas foi um assunto recente, então tudo bem. Nessa conversa havia citado Dante, Jane Austen e Stephen King; todos eles têm suas obras atemporais, sendo que lembrei de A Divina Comédia, Orgulho e Preconceito e It, A Coisa respectivamente. essas obras são particularmente escritas de maneiras únicas com base em seu tempo, atualmente você pode ler It, A Coisa com muita facilidade comparada às duas anteriores, assim como Orgulho e Preconceito trazia realidade para mulheres naqueles tempos mais simples e A Divina Comédia foi escrita como poema.

Cito esse pensamento pois apesar de ser um bom leitor, nunca fui tão familiarizado com a escrita do século XIX a anterior. sempre achei um pouco difícil a compreensão dos linguajares dos personagens, e as vezes, fico até bastante confuso com os diálogos. Mas nunca deixei de apreciar uma boa história por essas limitações.

Com a escrita desta introdução, partirei então para a obra a qual está sendo objeto da minha resenha. Uma das coisas mais extraordinárias que sempre serviu de inspiração para a arte foi, é e será a loucura humana.eu mesmo escrevo e desenho para manter minha loucura sob total controle. E isso tem um pouco a dizer sobre a obra Vulgo Grace de Margaret Atwood (Seu título original é Alias Grace). Vamos a uma pequena sinopse do livro:

A partir do caso real de uma mulher canadense da década de 1840, Atwood tece uma história de sensualidade, crueldade e mistério, cuja protagonista envolve o leitor num enigma desafiador. A autora recupera a trajetória de Grace Marks, uma criada condenada à prisão perpétua por ter ajudado a assassinar o patrão e a go­ver­nanta da casa em que trabalhava. Atwood estimula os leitores a formarem sua própria opinião sobre a as­sas­sina e, com a sutileza que lhe é característica, deixa subenten­didos importantes aspectos da trajetória da protagonista.

 

Contando com a Adaptação de Sarah Polley e transmitida pela CBC Television no Canadá e distribuída mundialmente pela Netflix. A minissérie conta com Sarah Gadon atuando como a protagonista Grace Marks e Edward Holcroft como o Dr. Simon Jordan. em seis episódios de aproximadamente 40~42 minutos. A série Conta a história de Grace que é a única testemunha de dois assassinatos em uma fazenda, porém ela é culpada como a principal mandante e executor do ato, mesmo que o capaz quem a ajudou já tenha sido executado. Acreditando que ela sofra de algum tipo de amnésia por não se lembrar de detalhe algum daquele dia, um grupo de médicos e psiquiatras tenta estudar os seus sintomas.

Grace demonstra ser uma garota quieta, muitas vezes solitária demais, mas sempre demonstrando os traços de que guarda um segredo imenso dentro de si e esse mistério que faz você ficar assistindo todos os episódios, pois acredita que ela é simplesmente uma garota injustiçada e que sofreu quinze anos na cadeia por causa de um julgamento mau executado.

a performance de Sarah Gordon como uma empregada do século XIX chama bastante atenção, pois sua aparência e jeito torna mais atraente o mistério que a personagem detém, não precisando ser algo tão sensual e sombrio assim.

Agora vamos a parte legal. Grace realmente existiu e essa história é baseada num caso que ocorreu de verdade, como poderá ser melhor acompanhado neste link aqui

Com os argumentos da historiadora canadense Ashley Banbury: “Grace Marks recebeu clemência porque foi capaz de ganhar a simpatia de um júri todo masculino por meio da bem-sucedida performance de gênero que ela fez. Ela usou o cavalheirismo e o protecionismo do sistema legal do Canadá do século 19 ao colocar-se como uma mulher ‘digna’ da proteção da lei.”

Como havia dito, a loucura sempre fará parte como uma das melhores inspirações que artistas podem ter. existem diversos casos assim mundo a fora que podem soar tão atrativos para estudantes de psicologia assim como escritores ou simplesmente curiosos como boa maioria. Essa é uma minissérie que você pode passar a tarde ou à noite maratonando sem problema algum. Fica uma ótima dica para uma história que consegue mesclar loucura, mistério e uma atmosfera mais simples de séculos passados.