[Review] Death Note – Netflix Live Action

chaandde/ agosto 25, 2017/ Filmes, Reviews/ 7 comentários

Um estudante de ensino médio encontra um caderno especial: ele pertencia a um deus da morte e a pessoa que tiver seu nome escrito nele irá morrer. A premissa é a mesma dos geniais mangá e anime mundialmente aclamados. Entretanto, esta ousada adaptação da Netflix trilha um caminho um tanto quanto diferente.

Se você não conhece a obra, seja pelo mangá, anime ou algum dos filmes já produzidos, aconselho que vá atrás dela antes de continuar lendo esta divagação. Talvez existam alguns spoilers, mas o principal motivo é ser uma das histórias de investigações mais lindas já produzidas pelo homem (não descarto obras do Rick (de Rick and Morty, se você não pensou nesse Rick, shame on you PICKLE RICK \o/) ou de alienígenas).

Não vou resumir a história, até porque eu jamais seria capaz de fazer jus (sim, eu pago muito pau para isso) a este presente dos deuses ( 😛 ) e você deveria vê-la, mas sim tentar ressaltar as diferenças entre as versões anteriores e esta vinda da terra do Tio Sam. Primeiro, vamos deixar algo bem claro: esta adaptação da Netflix é isso, uma ADAPTAÇÃO. Não é para ser igual. É apenas um filme que utiliza dos mesmos elementos.

Diferente do mangá/anime, essa nova versão não é uma história de personagens incrivelmente inteligentes em uma guerra intelectual durante uma investigação. Não, está mais para uma espécie de thriller policial americano, com uma pegada meio horror adolescente, e que termina com um ar de cautionary tale – o clássico “poder demais que saiu do controle”.

Vamos listar os fatores que fazem o plot seguir para esse caminho:

  • Temos diferentes regras no Death Note:
    • Se o proprietário do caderno passar 7 dias longe dele, o deus da morte responsável irá dar o caderno a uma outra pessoa.
    • Não há nenhuma menção aos olhos de deus da morte ou suas habilidades.
    • Caso a página em que o nome da pessoa foi escrito seja destruída antes da morte ser concretizada, a pessoa não irá morrer. Entretanto, isso só pode ser feito uma vez.
    • Apenas o proprietário do caderno pode ver/ouvir o deus da morte (não há nenhuma menção a mais de um deus da morte). Caso outra pessoa que não o proprietário toque no caderno, não terá efeito algum.
    • E provavelmente mais alguma mudança importante que eu esqueci. Desculpe. Veja o filme e me corrija nos comentários 🙂
  • A motivação inicial do Light é puramente vingança – sua mãe fora assassinada -, diferente da megalomania linda e “”””senso de justiça”””” puros do Light original. Ele também não é, nem de longe, brilhante como a versão asiática dele (temos um esteriótipo aqui?).
  • Não temos a Misa ou outros deuses da morte.
  • L é muito mais influenciado por suas emoções do que no original.

Por conta dessas mudanças fundamentais, temos muito menos jogo de gato e rato ridiculamente racional, e muito mais um adolescente acima da média que resolve se divertir e, talvez, limpar o mundo de criminosos no caminho. Quer ealguns xemplos? Ele conta sobre o caderno para a primeira garota que sorri para a ele (que acaba sendo mais psicopata que ele próprio). Ele se apavora com uma facilidade bem grande. Seus planos são muito menos elaborados (ok, só tínhamos 1h40, eu entendo).

L está com seus trejeitos MUITO bem representados com relação à versão do anime, embora vá ficando bastante emocional ao decorrer do longa, o que fica meio estranho. Além de (ou por consequência disso) tomar algumas decisões um tanto quanto… aquéns de sua capacidade.

O pai do Light está longe de ser o investigador fodão do mangá e do anime, passando o filme inteiro revoltado com L por acusar seu filho. Numa tentativa meio idiota de consolidá-lo como “ótimo detetive”, colocam ele, em sua última cena, falando o óbvio (e que ele deveria ter descoberto muito tempo antes).

A namorada de Light, Mia, é bastante sem sal – tanto que tive dificuldade em lembrar o nome dela agora, e olha que terminei de ver o filme – mesmo provando-se uma psicopata de carteirinha no final. Foi uma tentativa de colocar romance e “representar” a Misa, mas sem dar muito tempo – ou possibilidades – de desenvolver a personagem.

Enfim, este texto está GIGANTE e não fala nada que alguém que tenha visto o anime (ou lido o mangá) e visto essa nova versão não tenha notado. Então vamos às conclusões:

Gostei do design do Ryuk e de não terem medo de mostrar algumas mortes um pouco sangrentas. O tom de horror leve é interessante, mas como o desenrolar da história fica tão longe de entregar aquilo que promete (estou procurando até agora os diálogos inteligentes e planos geniais), fica difícil de defender o filme. Pelo menos o final não é tão ruim quanto eu esperava (o que não quer dizer que seja bom).

Se você já conhece a obra e tem 1h40 para gastar, sure, why not? Se nunca viu nada relacionado, gaste essas quase 2 horas assistindo a alguns episódios do anime (ou vá ver Suits, também é uma boa opção).

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  • Marcelo De Matos

    O filme não é ruim. Ele precisa melhor muito pra ser ruim.

    • Concordo que precisa melhorar muito pra ser ruim se comparado ao original, mas como filme solo, é só ruim mesmo haha

    • Amo o Guaxa compreensivo!

  • “Ele se apavora com uma facilidade bem grande.” Rachei muito com aqueles gritinhos quando o Ryuk aparece. E o Ryuk é o melhor do filme, e a escolha de mantê-lo sempre meio na sombra foi uma boa pra disfarçar o CGI. A trilha sonora de sintetizadores também ficou bem bacana. De resto, meh.

    • O grito na escola na primeira vez que ele viu me fez gargalhar muito haha
      Isso de deixar ele em segundo plano foi o que quis dizer com “design”, bate ae o
      Me falaram da trilha sonora, mas eu não lembro de N-A-D-A dela .-.

      • Uhul o/
        Hahaha pra falar a verdade, eu reparei pq alguém comentou antes de eu assistir, senão capaz de nem ter prestado atenção. Mas a música que toca na parte da roda gigante foi ridícula.

        • Vou acreditar em você, não tem a menos chance de eu rever isso só pela trilha sonora hahaha