Marcio Andrade/ Janeiro 8, 2018/ Reviews, Séries e TV/ 0 comments

Vamos a primeira resenha do ano e para essa trago não apenas uma das melhores séries do Netflix em questão de aceitação, como também uma das melhores que vi no ano passado. Primeiro, permita-me uma pequena introdução da série que se baseia no livro Anne de Green Gables.

“Anne retrata o amadurecimento de uma garota que enfrenta adversidades e desafios para encontrar seu lugar no mundo e ser amada. Ambientada na ilha de Príncipe Eduardo no final do século XIX, a série acompanha a vida de Anne Shirley (Amybeth McNulty), uma jovem órfã que, após uma infância de abusos entre orfanatos e casas de estranhos, é enviada por engano para viver com um casal de irmãos em idade avançada. Com o passar do tempo, a pequena garota de 13 anos transforma a vida de Marilla (Geraldine James), Matthew Cuthbert (R.H. Thomson) e de toda a cidade com seu jeito extrovertido, sua inteligência e imaginação brilhante. As aventuras de Anne abordam temas atemporais e de atual relevância como identidade, feminismo, bullying e preconceito.” (Fonte: minhaserie.com.br)



Anne with an E é com toda a certeza a série que mais me surpreendeu no ano passado. Fiquei eufórico com a estreia na quarta temporada de Black Mirror e acabei vendo essa mesma num único dia e decidi não perder tempo e assistir essa série após ler uma matéria que falava das série mais bem qualificadas no site e essa estava em terceiro lugar e eu fiquei curioso e levantei a seguinte questão: Como uma série de uma menina pode ser tão bem qualificada?

De início julguei de tratar de uma série infantil de época e como sempre tive dificuldades em entender esse palavreado de época – Vide Orgulho e Preconceito que é uma das obras que li e até hoje tenho dificuldades de me lembrar da trama como um todo. Então decidi dar uma chance a essa menina magrinha e ver a série com seus sete episódios.


Começando com uma visão hiper superficial, você pode achar o nome dos episódios bem chamativos, pois aparentam ser ótimos pensamentos de épocas mais simples. Mas como não é só um bom nome de obra que faz a trama, decidi dar uma chance e assisti o episódio. Vejamos agora o nome dos episódios para você entender do que falo.

  • Sua Determinação Dita Seu Destino
  • Sou Livre e Nada Me Prende
  • Obstinada como a Juventude
  • Um Tesouro Vindo da Alma
  • Um Laço de Amizade
  • O Remorso é o Veneno da Vida
  • Onde Você Estiver, Será Meu Lar

Fato curioso, para os fãs de Chaves que até hoje sentem ao ver o próprio coração apertar quando o pobre Chavinho é injustamente acusado de roubar um ferro e é chamado de ladrão e ladrãozinho por todos na vila, pense em uma série que consegue te fazer chorar em todos os episódios da temporada? Pois bem, essa é Anne.

Amybeth McNulty é a jovem atriz que dá vida a Anne Shirley e que de primeira vista, você pode achar que ela é uma menina tímida, quieta e desajeitada; mas é só ela começar a abrir a boca e tagarelar que não tem como você não só se encantar com a menina, mas também admirar a inteligência e imaginação da pequenina. Você se surpreende com o diálogo que ela tem com Matthew no decorrer do caminho da estação de trem até a fazenda. Mesmo ela tendo sido levada por engano a estação, você perceber que mesmo em completo silêncio, Matthew começa a gostar da garotinha. E Anne que fica bastante encantada com a “Estrada branca do deleite” e o “Lago das águas cristalinas” e passa o dia inteiro beliscando o próprio braço para acreditar que aquela realidade não passa de um sonho até o ponto que ela cai aos prantos ao receber a notícia que não queriam adotar ela é que aquilo foi um infeliz engano.

Sendo Franco, não tem como você não sentir um aperto no coração quando a menininha vai pra cama e quando Marilla lhe deseja boa noite e ela responde “como você pode me desejar boa noite na pior noite da minha vida?” E ouve o choro dela? Sim, isso mexe bastante com a emoção das pessoas, não acha?

A série traz muitos momentos emocionantes, como a imaginação de Anne que ainda deixa-a determinada a achar seu lugar no mundo após o engano ocorrido em Green Gables e o fato dela vender poemas para conseguir algum dinheiro para comprar sua passagem de trem para seu próximo destino e o emocionante encontro com Matthew onde ele diz “Mas ela é minha filha” – Sim, não tem como você não se emocionar com essa parte e o choro da pequena Anne.

Anne também passa por diversos problema a seguir, como bullying por ter sido uma criança que veio de um orfanato e já ter trabalhado como uma ajudante doméstica por bons anos de sua jovem vida. Isso cria dificuldades em ela fazer amigas e de estruturar todo seu potencial; Vide a parte que ela sonha em ir para a escola e quando passa alguns dias no lugar ela desiste disso.

A obra também traz assuntos atuais que ainda podem servir de inspiração até nos dias de hoje, mesmo o livro tendo sido lançado há exatos 110 anos. Assuntos como Aceitação que as pessoas buscam no mundo, a Imaginação que pode tornar as coisas mais belas na vida e fazer você enxergar o melhor nos piores momentos possíveis, o fato de como as crianças podem ser cruéis quando estamos começando a descobrir nosso próprio lugar no mundo e em especial o feminismo, pois se trata de uma protagonista feminina buscando grandezas em uma época que as mulheres ou eram esposas ou tinha extrema dificuldade de ter bons trabalhos.

Algumas curiosidades é que Anne foi um livro que fez muito sucesso em seus tempos, podendo facilmente ser comparado com Harry Potter naquela época. Diversas continuações que narram as aventuras e vida de Anne Shirley são feitos, desde quando ela era criança, passando por sua vida adulta tentando se tornar professora até sua velhice. Há alguns livros também que contam a histórias de seus filhos, mas não irei entrar em maiores detalhes. Existem também uma série animada que não pesquisei muito sobre, mas que pode ser uma ótima escolha para ser mostrada para crianças. O tema de abertura da série é a música “Ahead by a Century”, interpretada e originalmente composta pela banda canadense The Tragically Hip que vem a cair como uma luva para Anne (o refrão diz: Você está a frente do seculo).

 

A série não é só inspiradora por abordar assuntos atuais que são atemporais, na verdade; mas sim por sua excelente construção por trazer uma simplicidade as nossas vidas que muitos se esquecem que de fato existem. A principal lição que levo dessa série é uma frase dita no primeiro episódio e que aparece na abertura: “Você precisa de grandes palavras para expressar grandes ideias”.