Marcio Andrade/ dezembro 30, 2017/ Reviews, Séries e TV/ 0 comments

Primeiramente, Feliz ano novo, meus caros amigos leitores! Agora, deixe-me falar sobre a última série que assisti no ano passado. 29 de dezembro de 2017, data de estreia da quarta temporada de Black Mirror no Netflix. É algo que acho bem curioso é que, nas primeiras três temporadas essa série não me deixou tão animado assim, sabia que é uma ótima série pelo conceito por trás dela. Como venho da área de tecnologia, é mais simples para mim reconhecer os conceitos e paradigmas das máquinas daqui em diante e o principal paradigma que pode ser visto na série é até que ponto podemos deixar uma máquina racional? – Essa é o principal paradigma da inteligencia computacional. Mais deixando de falar em termos técnicos demais e entrando em si numa análise mais aprofundada da série. E comecemos por algo curioso que muitos que ainda não conhecem a série ou não pararam ainda para assisti-la não sabem. Cada episódio traz uma história separada de ficção científica; ou seja, você não precisa assistir toda a série para reconhecer uma boa história. Mas como esperado de histórias separadas que seguem linhas específicas de criação, temos episódios bons e ruins. Mas para evitar de entrar em mais detalhes sobre a série, vou analisar bem cada um dos episódios a partir de agora. Primeiro Episódio: USS Callister Contando com a direção de Toby Haynes e roteiro de Charlie Brooker. O episódio pode sim soar como uma grande paródia de Jornada nas Estrelas. no episódio, o personagem do capitão da Frota Espacial que logo no início enfrenta seu arqui inimigo em uma batalha um tanto inusitada onde todas as piores decisões possíveis a serem tomadas foram durante uma batalha, mas mesmo assim esse capitão sai vitorioso da batalha. Essa batalha espacial é feita em uma plataforma virtual própria daquele homem, que na vida real é um CEO de uma empresa de tecnologia que trabalha em cima da plataforma Infinity. Com a adição de um novo membro da equipe que aparenta ter admiração pela genialidade desse homem as coisas então começam a complicar. O programador fundador desta plataforma tem uma versão própria de testes para sua diversão e mais ainda, possui um scanner de DNA que permite criar clones virtuais de suas personas e adicioná-las ao jogo. Esses clones tem de início suas personalidades com base no mundo real, mas eles logo desistem por verem que estão lidando com o Administrador do sistema – Aqueles que não estão tão acostumados com os termos de tecnologia, administrador é o Deus por de trás do sistema. Perguntas que nos leva a serem feitas nesse episódio:

  • Que tipo de mundo você criaria se pudesse criar uma realidade virtual onde você é um Deus lá?
  • Se pudesse colocar os personagens com base nos seus conhecidos, que tipo de pessoa você seria?
  • Responda a segunda pergunta com base em todas as pessoas ruins em sua vida?
  • Que tipo de fanatismo você poderia ter ao ser o Deus de um reino, universo ou coisa do tipo?
  • Particularmente, gostei bastante desse episódio pelas referências de realidade virtual e a possibilidade de ser quem você quiser, mesmo que um tirano.

Nota: 5 de 5   Segundo Episódio: Arkangel Contando com a direção de Jodie Foster e roteiro de Charlie Brooker. O episódio nos leva a umas questões sobre superproteção e um pouco de dominação. Uma mãe solteira acaba perdendo sua filha em um parte que como toda mãe acaba ficando desesperada. Sendo aconselhada por um tratamento experimental, ela implanta um chip na cabeça da própria filha que permite controles do que ela vê, aparelho GPS e controle de conteúdo. Algumas questões nos levam a pensar pelas duas pontas. Você como pai-mãe de uma criação:

  • O que você deixaria ela ver nesse mundo? Levando tudo em consideração como violência e outros tipos de coisas.
  • Sabendo de todas as coisas que vem acontecendo atualmente como alta criminalidade, não seria sensato você ter o GPS em seu filho?
  • Que tipo de conteúdo uma criança deve ter acesso? Sabia que hoje na internet qualquer um pode ver o que quiser e bem entender.

Agora as questões como filhos:

  • Você gostaria de ter uma privacidade sendo invadida a qualquer hora do dia pelos seus pais?
  • Você deixaria de correr o risco de aprender com os próprios erros e descobrir muitas coisas da vida só por causa da limitação imposta pelos seus pais?

O legal desse episódio é ver mais como a tecnologia influencia na superproteção vinda pelos pais e até que ponto eles vão atrás da busca de um método para ajudar seus filhos, mesmo sendo experimental. Nota 4 de 5   Terceiro Episódio: Crocodilo Talvez, esse tenha sido até agora o que menos me pareceu estar alinhado com a visão dessa resenha, mas assumo que a ideia do caminhão de Pizza possa ser algo que devemos ter num futuro (aquele que quiser servir de investidor dessa ideia, por favor entre em contato comigo nos comentários) Historia simples como aquelas tramas de detetive e bandido. Um casal acaba atropelando um ciclista numa estrada deserta e o matando. Com medo de ser preso, o homem joga o morto num mar. Anos após o acontecimento e o casal já não estar mais junto, esse homem se sente consumido pela culpa depois de ler um artigo sobre a esposa daquele ciclista morto. recorrendo até sua parceira na época que se tornou uma arquiteta de sucesso, lhe dizendo que sente que é o correto a ser feito, mas ela não estará disposta a abrir mão de tudo aquilo que construiu no decorrer dos anos. Em paralelo, uma investigadora de uma companhia de seguros está trabalhando num caso de um homem que foi atropelado pelo caminhão de pizza que citei ali em cima. Utilizando uma máquina que consegue ver memórias recentes das pessoas unicamente precisando delas se lembrarem do ocorrido. Sua investigação faz com que ela cruze o caminho da arquiteta e já podemos saber o que pode vir a acontecer. Mesmo não estando alinhado com paradigmas de computação como os episódios anteriores. Esse episódio foca muito no psicológico e na culpa de alguém que matou uma pessoa (mesmo não sendo a sangue frio). Nota 3 de 5

Black Mirror

Quarto Episódio: Hang the DJ Está ai um episódio bastante curioso. A ideia principal é um aplicativo que encontra pessoas ideias para você, porém lhe dá um prazo de validade num relacionamento. Isso sim é uma espécie de Tinder melhorado fazendo uma distopia e tudo mais. Um casal é reunido por esse aplicativo, mas só tem meio dia para aproveitarem juntos e você percebe uma certa química entre os dois. Após o término desse relacionamento, eles são redirecionados para outros parceiros que não tem a mesma pegada que as deles, porém em relacionamentos bastante duradouros. No decorrer do término do relacionamento da moça, ela fica com mais alguns caras num período de tempo curto até que o aplicativo decide juntar aquele casal novamente. Questões interessantes a serem levantadas:

  • Daria mesmo para acreditar num aplicativo que te reuniria com uma pessoa ideal sem que você nunca tenha conhecido ela?
  • Seria uma ótima oportunidade para relacionamentos casuais, mas você se prenderia a uma pessoa que não gosta unicamente porque dizem que vocês tem uma boa base?
  • Especialmente, você colocaria uma data de validade num relacionamento com uma pessoa que tem potencial com você?

Minha sincera resposta a ultima pergunta por ser uma situação que vivi: Nem pensar sei como poderia ser possível, mas há pessoas que fariam e fazem isso. O episódio é nomeado com base numa música de The Smiths e com toda certeza foi um dos melhores episódios de toda a série. Nota 5 de 5

Black Mirror

Quinto Episódio: Metalhead No início dessa resenha, havia falado que essa série por se tratar de histórias separadas com base nos paradigmas da tecnologia e que a série tinha altos e baixos. Acredito sim que esse tenha sido o ponto mais baixo da temporada toda. O episódio mais curto tem um quê de Exterminador do Futuro com Walking Dead, mas com a adição de robôs conhecidos como Cachorros que é uma torradeira androide assassina. A trama foi bastante limitada e as motivações dos personagens foram bem fracas. Sei que não sou do tipo de esculhambar alguma obra, mas na minha humilde opinião, esse foi o episódio mais fraco da temporada. Nota 2 de 5

Black Mirror

Sexto Episódio: Black Museum Esse para mim, foi certamente o melhor episódio da temporada. Não é a primeira vez que a série cria um episódio que interliga duas ou mais histórias numa trama maior. O episódio começa com uma garota cortando as estradas de um deserto e encontrando um museu onde os itens da exposição são materiais que estão ligados diretamente a crimes. O dono do museu já havia trabalhado como empresário numa organização que utiliza tecnologia em meios vinculados ao sistema nervoso e posteriormente a consciência humana. O primeiro objeto nos leva a história de um médico que passou por uma cirurgia para adicionar um implante que permite que ele sinta a dor do seu paciente e assim ele consegue ter melhores resultados e salvar mais vidas. Esse implante também aumenta seu desempenho sexual, por saber as reações físicas de sua parceira. Porém, a história começa a ficar interessante a partir daí; ele se torna viciado na dor que lhe é infligida e acaba se tornando um viciado na dor alheia, já que ele sentiria e não poderia correr nenhum risco permanente por essas ações. O segundo objeto conta a história de um casal que formou uma família. Ela acaba passando por um acidente e entrando em coma. Um experimento que visa tirar a consciência daquela mulher e realocar na cabeça de seu marido acaba sendo a saída para isso. Essa história nos leva a questão de como seria ter a voz de outra pessoa morta 24X7 em sua cabeça te influenciando em suas escolhas. A última história contada nesse museu foi de um condenado a morte que teve sua consciência retirada do corpo após sua própria morte. A conclusão dessa história foi uma coisa muito maneira e não posso entrar em maiores detalhes, senão vocês perderam um dos melhores episódios da serie. Nota 5 de 5 Black Mirror tem o poder de nos levar a questionar algumas coisas sobre como a tecnologia está influenciando nossas vidas atualmente e num futuro bem próximo. Acredito que mesmo tendo dois episódios razoáveis, não tira o brilho das obras como um todo. Também acredito que essa seja a melhor temporada até agora da série. Fica a primeira dica para ser assistida em 2018.