Team Ico e sua diferenciação no mercado de games

Quando o Playstation 2 estava em seu auge, uma equipe de desenvolvimento de jogos chamada Team Ico foi criada com o intuito de trazer diferenciamento à indústria de games; algo que conseguiram com sucesso, devo observar.

Em 2001 criaram “Ico”, jogo no qual tomamos controle de um garoto que nasceu com chifres e por ser considerado amaldiçoado por sua tribo nativa, é amarrado e enviado à um castelo supostamente abandonado. Lá ele encontra uma garota de pele clara como a luz do dia, e apesar de não falarem a mesma língua e se comunicarem apenas por gritos e gestos, a dupla começa a desenvolver uma fortíssima amizade buscando juntos uma maneira de fugir da colossal prisão de torres e muralhas.

Já em 2005, a equipe Team Ico trouxe à tona “Shadow of The Colossus”, considerado por muitos como uma exímia obra de arte jogável. Em uma dramática história, controlamos Wander, um nativo de uma tribo que teve sua amada sacrificada num ritual, e tomado por sua paixão, foge a cavalo com o corpo da donzela para uma longínqua terra proibida, evitada por seus perigos, mas protegida pelos seus mistérios. Lá Wander encontra um gigantesco templo e conversa com uma antiga entidade que se apresenta como Dormin. Após ouvir o apelo do viajante, o espírito explica que é possível trazer sua donzela de volta à vida, mas que para isso, Wander terá de destruir dezesseis criaturas colossais que habitam a terra proibida. Sem se questionar sobre os perigos ou consequências que o aguardam, o jovem parte para sua missão com sua égua Agro, munido de uma espada sagrada, um arco com flechas e toda sua coragem e amor.

O que esses jogos tem em comum e o que acrescentam à indústria de games? Como pode perceber, são jogos com histórias profundas que fogem completamente ao que estamos acostumados. Há poucas trilhas sonoras, praticamente nenhuma informação na tela (como barras, números, mini-mapas e derivados), não há inúmeras missões selecionáveis nem menus de personagem. Há apenas o som do vento, da chuva, dos pássaros à distância, o eco dos gigantescos saguões abandonados, a névoa que encobre as construções de tempos esquecidos. A imersão é grande e a sensação de solidão, seja no interminável castelo de Ico ou nas infindáveis planícies de Shadow of The Colossus, é sempre presente. Pra todo apreciador de bons jogos (ou mesmo quem se contenta com shooters, corridas e lutas) é uma experiência obrigatória que trás reflexões sobre o amor, a amizade e as coisas que somos capazes de fazer em nome desses dois sentimentos primordiais. Não espere uma ação desenfreada, nem centenas de explosões na tela, há sim seus momentos de ação, mas são jogos para serem jogados com paciência e apreciação.

Em dezembro de 2016, a Team Ico nos trouxe sua mais recente criação – “The Last Guardian” – que sustentado pelo alicerce de seus antecessores, é baseado na amizade entre um garoto e uma grande criatura quadrúpede, híbrida de felino com ave. O jogo começou a ser desenvolvido em 2009 (inicialmente para Playstation 3) mas agora conta com sua exclusividade para Playstation 4.