Stranger Things – Netflix mandou bem!

Existem vários tipos de coisas que um entusiasta dos anos 80 pode apreciar, desde músicas em fitas cassetes, partidas de RPG de mesa com os amigos ou mesmo aqueles filmes clássicos, como E.T. – O Extraterrestre, de Steven Spielberg. E é no mesmo sabor de E.T. (com uma temperada de Super 8, filme também de Spielberg) que a Netflix nos presenteia com Stranger Things, uma série de suspense e ficção científica,  que se passa na década de 80 numa pequena e pacata cidade em Indiana.

A trama se inicia quando o jovem Will (Noah Schnapp) desaparece na floresta durante a noite. Quando seus três amigos saem de bicicleta à sua procura, acabam topando com uma misteriosa garota de cabelo raspado, que escapou de um laboratório onde se realizava experimentos com crianças. Apesar de se expressar com dificuldade, ela mostra seu pulso tatuado com o número “11” explicando que é como se chama e dizendo a seguir que está fugindo dos “homens maus”. Um dos três amigos, Mike (Finn Wolfhard), acolhe a garota no porão de sua casa e as quatro crianças se tornam amigas, mas acabam se encontrando dentro de uma intrigante conspiração governamental. A interpretação infantil, na realidade, é o que traz maior parte do brilho ao elenco. Enquanto os adultos tiram suas conclusões e fazem planos para resgatar Will, as crianças seguem investigando e tendo de lutar contra seus próprios problemas pessoais.

A história da série é bem construída e cuidadosamente dividida entre seus oito episódios. Não pretendo estragar a surpresa de quem ainda vai assistir, mas pode se preparar para teorias de realidades paralelas, portais dimensionais, telecinesia, encobrimentos do governo e até mesmo uma citação ao programa MKULTRA. Para aqueles que desconhecem (e buscam preparar o repertório para os detalhes do seriado), o projeto MKULTRA foi um programa da CIA que realmente existiu nos EUA, iniciado na década de 50. Por mais bizarro que possa ser, era um programa ilegal e clandestino no qual se realizava experiências com drogas em seres humanos buscando o controle da mente e visando interrogatórios de tortura do Serviço de Inteligência. Essas e tantas outras referências dão uma solidez interessante à trama, que é encoberta em grandes suspenses. O clima de tensão que algumas cenas conseguem provocar dão a pitada final e um toque especial de Stephen King, sendo até mesmo possível criar um paralelo à história dos jogos Silent Hill da Konami, e toda sua desenvoltura entre o alternar das dimensões “benéfica x maléfica” pelo qual os protagonistas são forçados a passar.

Todas pessoas que gostam das referências de 80 e 90, ou que apreciam um bom suspense infantil no melhor estilo Steven Spielberg irão adorar a série. A primeira temporada estreou dia 15 de Julho de 2016 e conta com oito episódios disponíveis na Netflix. Logo as aventuras de Mike e seus amigos continuarão na segunda temporada, ainda sem data confirmada.

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