Logan

LOGAN

Uma quebra da formula de filmes de heróis. (De novo)

(CUIDADO COM SPOILERS)
Depois de sete filmes do universo dos X-Men começando em 2000 com a estréia de Hugh Jackman como Wolverine quebrando uma barreira de filmes de heróis (mesmo já tendo bons filmes como Superman (1977) e Batman (1989), o gênero virou piada nos anos 90) e agora Jackman se despede deixando mais uma quebra dentro do gênero que virou um fenômeno (que sim, pode saturar). Acredite ou não, mas faz dezessete anos que Jackman é o Wolverine e é difícil imaginar outra pessoa interpretando o icônico personagem, e parece ter seguido o caminho inverso onde sempre o terceiro filme é o pior, esse é o melhor dos filmes solo do personagem, porque X-men origins: Wolverine, apesar de ter um jogo muito bom para PS3 é terrível como filme, e em 2013 tivemos o “ok” Wolverine: Imortal (Não morre no final, desculpa, não resisti).

Já pra tirar o elefante da sala, sobre a violência do filme, eu como fã das HQ’s e conhecendo o personagem, acredito que a violência é inerente ao seu background, ele é um personagem que tem garras que cortam tudo, tem um fator de cura que permite que ele luta com inimigos muito mais fortes que ele e ele agüente, então acho que fez bem em apostarem nessa violência, e temos que agradecer ao sucesso de Deadpool que deu força pra que esse filme tomasse essa direção.

O filme aproveita muitos arcos das HQ’s como Oldman Logan, A Morte de Wolverine etc., mas também referencia muitas outras obras como Pequena Miss Sunshine, The Last of Us, Os Brutos Também Amam, Os Imperdoáveis. Mas mesmo que uma pessoa que não goste de filmes de herói, ou não conheça HQ’s, mas gosta de um bom filme, esse é um.

A trama desse novo longa traz uma história muito mais pé no chão do que qualquer outro filme de herói, e não digo isso por falta de elementos fantásticos ou poderes, mas sim pela humanidade que é dada a esses personagens, trazendo um Logan, muito mais velho, cansado de viver, e fraco pelo próprio adamantium que o dava tanta força, que o acaba envenenando. Logan trabalha como uma espécie de UBER do futuro para sustentar o Professor Xavier (Patrick Stewart) e Caliban (Stephen Merchant), enquanto tentam se esconder do mundo comum onde não existem mais mutantes de nascimento natural. Tudo muda quando uma mulher procura Logan pedindo ajuda dele para levar ela e a “filha” para o Canadá, mas na verdade a menina é Laura ou X-23 (Dafne Queen). A explicação que é dada por vídeo pela Gabriela (Elizabeth Rodriquez) por um vídeo super editado com vários vídeos mostrando como eram feitos experimentos com crianças e com a própria Laura é muito explicativo que dá a impressão que a moça é um youtuber ou já trabalhou na edição de vídeos, o que te tira um pouco do momento, mas nada que atrapalhe a trama em si,

Depois de um primeiro ato muito bom o filme se torna um Road Movie, e preciso destacar aqui esse meio de filme, onde mostra a relação de Logan e professor X, este ultimo que está muito fraco e é sabido que quem matou todos os x-men foi o próprio professor, e isso dá um peso gigantesco pro personagem que é até referenciado no filme como um arma de destruição em massa, mas ao mesmo tempo é aquele professor bonzinho, aquele homem que se preocupa em ajudar a todos como puder, e a interpretação do Patrick Stewart é fantástica, ele coloca muito dele mesmo no personagem, e é triste ver essa fraqueza e saber que é tão perigoso esse homem tão doce com os outros que precisavam de ajuda. Hugh Jackman também está no ápice de sua interpretação, trazendo um peso no olhar e mancando, cansado, mostrando a força do tempo e com é morrer lentamente para um cara tão indestrutível. Por outro lado temos Laura que dá um ar e um contraste interessante entre Logan e ela por serem tão parecidos e não se darem bem pelo temperamento dos dois.

Apesar de o filme ter muito mais qualidade do que defeito, a escolha do vilão ser um clone do Wolverine, pode ser interpretado de duas maneiras, a poética em que a luta do Logan é contra ele mesmo jovem e muito mais selvagem ou poderiam ter trazido um clone do Dentes de Sabre ou até um personagem novo, então entendo porque algumas pessoas não gostaram dessa escolha.  Apesar disso eu adorei toda cena da fazenda, onde eles sentam à mesa com aquela família, é bonito ver aquela relação num todo em que Logan e o Professor parecem mesmo pai e filho (apesar do Logan ser bem mais velho que o Xavier), o problema é que a morte do professor X é quase casual, por que você não sente tanto pois é muito rápido.

O terceiro ato com a chegada deles no campo das crianças me lembrou os filmes do Spielberg dos anos 80, e é interessante ver como a Laura procura em Logan essa figura do pai e os diálogos entre os dois são realmente bons, daí adiante começa a luta final onde as crianças tentam fugir dos vilões, que além do X-24, tem o doutor, e Pierce (Boyd Holbrook) que é mais um capanga do que um vilão mesmo e esta luta acaba com morte brutal de Logan em uma cena  que é de fazer chorar, a cena onde Logan segura a mão da Laura e fala que agora ele sabe como é ser pai é lindo. Concordo com muitos que viram de longe aquela bala de adamantium no começo do filme como a bala que mataria o X-24, talvez a idéia do Logan conseguir matar o X-24 com o uso daquele serum que revitaliza ele tivesse tido também um acerto.

Resumo: O filme de despedida de Hugh Jackman como Wolverine é realmente uma carta amor para os fãs do personagem e um ótimo filme para os amantes de filmes num geral, temos um novo passo na indústria dos filmes baseados em HQ’s e espero que a FOX continue com esses acertos e não cometa os erros que cometeu em filmes anteriores.

Filme pé no chão, emocionante, com personagens principais muito bem desenvolvidos e atuações impecáveis por Hugh Jackman e Patrick Stewart, mas com vilões não tão marcantes. Roteiro não é perfeito, mas é excelente, direção muito boa de James Mangold, fotografia e trilha sonora também excelente.

NOTA 9.5/10

 

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