Ayreon

Marcio Andrade/ junho 16, 2017/ Colunas, Reviews/ 0 comentários

Vamos lá, caros leitores! Ando um pouco sumido mas agora decidi trazer uma resenha de algo um tanto inusitado. Como escritor, admiro bastante o trabalho de Stephen King (claro que ainda devo uma resenha de uma obra dele, mas vamos deixar o futuro no futuro), mas um dos caras que mais me inspirou em questões de histórias foi o holandês Arjen Anthony Lucassen em seu projeto Ayreon e mais de algumas outras centenas de bandas dele espalhadas pelo globo. Vamos começar com os conceitos mais básicos então.

Mas Marcio, você está fazendo a resenha de uma banda de Heavy Metal? Sim, exatamente isso mesmo. Para muitos que não tem conhecimento do que se trata de um álbum conceitual, vamos a uma explicação bem básica. Álbum conceitual é um conjunto de músicas gravadas com base em alguma história (fictícia ou não) onde cada uma das músicas serviram como capitulo, podendo citar como algumas obras mais clássicas o The Wall de Pink Floyd e Tommy do The Who. Agora com a explicação mais básica possível do que se trata, pense numa banda que grava apenas álbuns conceituais (isso é maneiro para caramba, não acha?), mas e se essa banda criar uma das melhores ficções cientificas já escritas no ramo musical e vincular com o metal progressivo para criar uma atmosfera musical para cada uma de suas músicas? E ainda melhor, e se o cabeça por traz dessa ousada ideia ainda contar com ilustres vocalistas do Rock/Metal para dar vozes ao seus personagens? Sim, isso de fato existe e não estamos falando do Avantasia que também é um grande nome, mas SIM do Projeto AYREON.

Arjen Lucassen é um dos maiores gênios criativos que já vi até hoje, além de ser um multi-instrumentista ainda é um compositor de mão cheia! Além do citado Ayreon, Lucassen também teve alguns projetos paralelos, sendo eles citados abaixo:

  • Ambeon: Onde pegou toda complexidade do Ayreon e juntou numa música mais atmosférica e, ao lado da vocalista Astrid van der Veen, que tinha apenas 14 anos quando gravou o único álbum do projeto, Fate of a Dreamer.
  • Guilt Machine: Igual ao Ambeon, Guilt Machine explorou um pouco mais a atmosfera sombria e melancólica da criatividade de Lucassen, o projeto rendeu um único álbum com seis faixas, mas são bastante bacanas para dar uma conferida. #FicaaDica
  • The Gentle Storm: Ao lado da vocalista Anneke van Giersbergen, Lucassen gravou algo completamente fora do seu padrão, uma história de amor na era de ouro da navegação holandesa. O único álbum duplo do projeto The Diary trás algo bastante inusitado, a mesma história gravada com duas versões diferentes: A versão Gentle que se trata de uma versão acústica e a versão Storm com instrumentos típicos do Heavy Metal. [Confira o vídeo:https://www.youtube.com/watch?v=nY0Y1AwOyw0]
  • Star One: E o meu favorito, Star One é um projeto de músicas temáticas, onde todas as músicas são baseadas em obras cinematográficas de ficção cientifica. Entre as músicas que posso citar do projeto temos Digital Rain (baseada em Matrix), Master of Darkness (em Star Wars Episode V: The Empire Strikes Back, mais especificamente num tal de Darth Vader) e Songs of the Ocean (Star Trek IV).

Agora vamos falar especificamente do Ayreon. Seu primeiro álbum foi batizado de The Final Experiment lançado em 1995 (relançado em 2005, contendo 7 das 11 músicas em versões acústicas num excelente CD Bonus). A história se dividi de um prologo seguido por 4 atos. [Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/The_Final_Experiment ]

Prólogo: No ano de 2084, cientistas encontraram uma maneira de mandar mensagens de volta no tempo por meio de telepatia, ao que chamaram de “Telepatia do Tempo”. Com a Terra quase destruída por várias causas diferentes, eles têm uma única esperança com essa experiência: advertir o passado para evitar que o destino da Terra seja aquele em que eles vivem.

Ato I: O receptor das mensagens telepáticas é Ayreon, um menestrel cego que vive na Bretanha do século VI *d.C. O menestrel acredita que essas visões foram mandadas a ele pelos Senhores do Tempo. Sem saber de quanto tempo ainda resta antes que a Terra seja destruída, Ayreon passa a viajar para contar a lenda da morte da Terra cantando canções sobre guerras, desastres naturais e tecnologia computadorizada. As lendas assustam os aldeões, que o expulsam da cidade.

Ato II: Sozinho e expulso da cidade, Ayreon vai ao castelo do Rei Artur, e, sendo um famoso menestrel, ele é permitido a cantar sobre suas visões na própria corte do Rei.

Ato III: Com ciúmes por suas habilidades de prever o futuro, Merlin, o mago da corte, não fica nada feliz com a mensagem de Ayreon e convence toda a corte de que o menestrel certamente se trata de uma farsa.

Ato IV: Merlin acredita ser necessário silenciar o menestrel para sempre e o amaldiçoa. Com a maldição completa, Merlin toma ciência de seu erro, mas é tarde demais. O mago prevê, então, que a mensagem chegará na mente de outro menestrel, mas, dessa vez, no fim do século XX d.C.

Para seu segundo projeto, Actual Fantasy, sendo esse álbum é o único álbum de Ayreon que não tem uma história contínua, mas sim várias pequenas histórias. Podemos citar algumas bem legais como Computer Eyes: Que é sobre alguém que está jogando em seu computador por dias. A um certo momento, ele não é mais capaz de dizer se ele está jogando ou se já se tornou parte do jogo. Ele não tem mais nenhuma emoção e se tornou como um holograma, sem emoções e incapaz de escapar E a música Beyond the Last Horizon: A história se passa na Idade Média, durante as Cruzadas. Um dos cruzados é emboscado e morto. Depois disso, vem uma história familiar: ele vê uma luz e anda em direção a ela em uma estrada que desaparece no horizonte. Além dela, está o “último horizonte”: a morte. Na maioria das histórias é dito que há uma bela luz ou paraíso. Mas onde isso está, existem as trevas. Não há nada além do último horizonte, ele desaparecerá.

Os lançamentos do projeto seguiram com Into the Electric Castle, Universal Migrator Part 1: The Dream Sequencer & Universal Migrator Part 2: Flight of the Migrator que voltaram mais profundamente com o destino continuado em The Final Experiment. Havendo excelentes musicas com atmosferas incríveis Como The Garden of Emotions, Dawn of Million Souls e Into the Black Hole. Claro que os Dois Universal Migrator contava a história do último humano existente no universo e sua aventura no espaço para buscar suas origens. Alguém ai se lembrou do mochileiro das galáxias?

Para finalizar essa resenha, citarei dois dos melhores álbuns que já ouvi na Vida! Começando por The Human Equation, que te levará a uma puta viagem emocionante de um homem que sofre um acidente e entra em coma, durante seus 20 dias de coma, ele vive lembranças felizes e dolorosas do seu passado, Lucassen dá voz ao seu melhor amigo tentando dizer para manter a esperança. Igual ao vídeo de Come Back to Me aqui em baixo:

Vídeo bem divertido, não? The Human Equation no final do ano passado rendeu uma adaptação ao Teatro chamada de The Theater Equation, onde Lucassen aparece no final em um casulo de estudo de uma raça alienígena unicamente para receber os aplausos, sinistro, não acham?

O Segundo álbum que citarei é o obscuro 01011001, em um momento conturbado de sua vida, Arjen Lucassen deu à luz a essa impressionante obra de arte que nos leva ao inicio de sua historia com a raça Eternos relembrando do momento em que as maquinas tomaram suas vidas e com base em pesquisas levantadas em The Human Equation, se lembram de algo a muito tempo esquecido: As emoções.

Vejam só essa obra de arte em seus dez minutos e me digam que não poderia ser pertencente a algum filme de ficção com seus coros de On e Off e Zeros e Ones.

 

As obras de Lucassen também se estendem para o impressionante The Theory of Everything que contou com um tributo muito legal do Soulspell em português e no atual álbum The Source. Lucassen tem uma obra incrível e que certamente irá te fazer passar excelentes horas interpretando suas histórias. Se é fã de Heavy Metal numa pegada progressiva e com uma atmosfera espacial, mais uma dica para você e se é fã de ficção ou de ótimas historias, dê uma chance a esse excelente projeto. E verdade seja dita, Lucassen é um dos maiores gênios que já ouvi, e é uma pessoa incrível, quando contei para ele sobre o quanto ele me inspirou como escritor e o fato de dedicar um vilão da minha historia a ele, ele adorou a ideia… Naturalmente, gritei feito uma adolescente histérica, mas isso é historia para outro dia.