Análise: Beasts of no Nation


Título:
Beasts of No Nation

Estréia: 16 de Outubro de 2015

Direção:
Cary Fukunaga

Gênero:
Drama, Guerra

Duração:
2h17min

Elenco:
Idris Elba (Comandante)| Abraham Attah (Agu) | Ama K. Abebrese (mãe) | Emmanuel Nii Adom Quaye (Strika)| Opeyemi Fagbohungbe (Sargento)

Beasts of no Nation é o primeiro longa produzido pela Netflix e devo confessar que, só por ser da Netflix, eu já possuía grandes expectativas em relação a ele, e tenho o prazer de lhes dizer que não me decepcionou em nada!

O filme é dirigido por Cary Fukunaga (True Detective) e baseado no livro de mesmo nome, do autor Uzodinma Iweala. Não conheço o livro, porém, após o filme, fiquei com muita vontade de lê-lo.

O filme retrata a realidade brutal e sem censuras de crianças e adolescentes em meio a um conflito armado na África. O filme acompanha a história de Agu (Abraham Attah), um garoto brincalhão e cheio de vida que durante uma Guerra Civil no país, vê seu pai e seu irmão mais velho serem mortos, assim como seu vilarejo inteiro, e, tentando fugir dos executores de seu pai, acaba se encontrando com o exército do Comandante (Idris Elba) e, aos poucos, vai se transformando após ser recrutado.
Gravado na região Oriental de Gana, os cenários alternam entre a beleza da natureza Africana e a pobreza de algumas cidades.

Criança. Prisioneiro. Assassino.

Sendo sincera, não era bem o que eu esperava. Pela sinopse e também pelo trailer, imaginava um filme mais voltado para o gênero de ação, porém tive uma linda surpresa. Mas não se preocupe, pois se você está à procura de um filme de ação, pode ficar tranquilo que irá encontrar boas cenas de ação, com explosões, muito sangue e tudo que esse gênero em geral lhe proporciona. Porém, o filme vai além disso. Ele traz também muitas reflexões, mostrando em detalhes a transformação pela qual as crianças passam, toda a lavagem cerebral que é feita, a forma como vão perdendo sua infância e passando por uma série de abusos, até se tornarem soldados sem sentimentos, capazes de, ao menor sinal, entregarem suas vidas numa batalha perdida, por uma causa ilusória, que não compreendem e da qual não possuem meios para realmente compreender.

Salvador. Governante. Criminoso

Nesse meio acompanhamos o surgimento de uma amizade entre Agu e Strika, uma criança muda, amizade essa que os torna capazes de suportar muitos dos abusos e intempéries a qual estão expostos.

De modo geral Beasts of No Nation é um filme muito bom, que vale a pena ser assistido, e que leva o telespectador a uma série de reflexões. O filme nos mostra do que uma lavagem cerebral é capaz, ao sugar a infância de crianças e transformá-las em guerrilheiros, que não sentem pena, não sentem dó, não sentem compaixão. Com uma temática pesada, com cenas explícitas de estupro, mortes e abusos tanto físicos quando psicológicos (temas esses que o cinema convencional teimaria em aceitar), Beasts of no Nation é um filme que merece ser assistido, pois conta com um elenco muito bom, uma ótima interpretação dos atores, e com o já conhecido Selo Netflix de qualidade. Com o seu primeiro longa, a Netflix demonstra que está no caminho certo também nesse mercado, que tende a crescer cada vez mais para a empresa norte-americana.

Confira o trailer:

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