A Rainha Vermelha – Livros escritos com sangue e poder

Gabriel/ Março 31, 2017/ Livros/ 0 comentários

“E vamos nos levantar, vermelhos, como a aurora.”

Carregando minha paixão especial por histórias distópicas, recebi uma sábia indicação para ler a série de livros “A Rainha Vermelha“, escritos pela jovem americana Victoria Aveyard. De primeiro momento, minha atenção já havia sido chamada pela capa peculiar do primeiro livro, onde uma coroa encontra-se respingada de sangue, afinal, também carrego uma forte paixão por contos de reis e rainhas, especialmente quando temperados com um toque sombrio e sangrento.

E sangue aqui é o que não falta. Na realidade, é o principal fator que norteia todo universo dos livros. A história se passa em um futuro longínquo, onde nós, sábios humanos, arranjamos uma maneira de guerrear até destruir praticamente todo o planeta. A seguir, a humanidade se reestruturou, mas um misterioso evento genético acarretou o nascimento de pessoas com sangue prateado ao invés de vermelho. Essas novas pessoas possuíam uma mutação biológica que lhes concedia dons além da compreensão mundana. Alguns indivíduos prateados conseguiam mover objetos com a mente (logo apelidados como telecs), outros controlavam todo tipo de metal (os chamados magnetrons), alguns desenvolviam força sobre-humana (os forçadores), enquanto haviam aqueles que podiam controlar o fogo, outros até se descobriram capazes de invadir e controlar a mente alheia.

É claro que rapidamente a população de sangue vermelho passou a considerar os prateados aberrações ambulantes, e a divisão entre essas duas raças começou a emergir. Os prateados, porém, logo reconheceram que podiam impor seu lugar graças a seus poderes sobrenaturais e então a classe desses humanos poderosos começou a ascender e subjugar os vermelhos. Terras passaram a ser conquistadas e nomeadas como reinos, vermelhos começaram a ser violentados, e os prateados instauraram uma monarquia onde as famílias mais fortes sentavam no trono e comandavam tudo a sua volta de maneira fria e impiedosa.

É durante uma guerra centenária que ecoava pela nação entre os reinos de Norta e Lakeland, que chegamos a personagem principal, uma jovem de 16 anos chamada Mare Barrow. Mare nasceu num vilarejo vermelho, próximo a um dos rios de Norta. Graças ao controle dos prateados, sempre levou uma vida difícil ao lado de sua família, sendo obrigada a roubar para conseguir sobreviver. Entretanto, numa reviravolta do destino, Mare acaba sendo contratada para trabalhar como serviçal no palácio real, o que lhe garante um futuro melhor que seu destino prescrito, no qual, como qualquer outro vermelho, ao completar a maioridade seria obrigada a batalhar na guerra contra o reino de Lakeland. E é entre os muros dos luxuosos aposentos reais que Mare acaba descobrindo que também possuí um poder sobrenatural, diferente do que qualquer prateado um dia possuiu. Após tamanho choque, o rei e a rainha decidem mante-la a força dentro do palácio, disfarçada como nobre prateada, para poderem usa-la a seu favor.

A trama segue com uma evolução fantástica dos personagens. Com seu jeito destemido e sua personalidade forte, Mare acaba mexendo com o coração dos príncipes prateados que habitam o palácio. A jovem aos poucos vai aprendendo a manter a mentira de ser uma nobre, enquanto traições e conspirações dignas de Game of Thrones despontam pelas páginas, forçando Mare a amadurecer através do sofrimento e a ficar cada vez mais indignada com o contraste entre os sangues. Tal indignação nos leva a descobrir um grupo de resistência de vermelhos, intitulado como “Guarda Escarlate” que almeja destronar os monarcas e colocar um fim a toda tirania prateada, para que o povo oprimido levante, vermelho, como a aurora. Os conflitos entre os rebeldes e o trono começam a ficar cada vez mais acirrados, até que Mare é obrigada a fazer escolhas que destinam toda nação a grandiosas mudanças.

Os dois livros seguintes, “Espada de Vidro” e o mais recente, “A Prisão do Rei” (lançado no começo deste ano), dão continuidade a trama de maneira exímia. Os acontecimentos são pautados com ação veloz que beira o épico. Grandes surpresas fazem com que mudemos totalmente a opinião sobre os principais personagens. A natureza humana é retratada de modo denso – independente da cor do sangue, todos possuem seus medos, receios, paixões, desejos e ambições sanguinolentas que vão sendo expostas em camadas conforme vamos lendo. Como a maioria dos heróis de histórias distópicas, Mare Barrow prova-se com a garra, a determinação (e as vezes a teimosia) necessária para superar todas adversidades que encontra em seu caminho. Em momentos chaves dos dois últimos livros, ela realiza grandes feitos, mas nem sempre acerta. Como qualquer outro humano, passa a ser assombrada e perturbada pelo peso de seus erros e vai aprendendo pelo que vale realmente a pena lutar.

Vale ainda acrescentar, que levando em consideração as pistas deixadas pela escritora nas notas de agradecimentos, acredito que logo teremos a história transformada em um filme nas telonas – desde os agradecimentos do primeiro livro, Aveyard deixou claro sua intenção em batalhar por este feito. Enquanto isso também contamos com o livro “Coroa Cruel”, uma edição com contos paralelos sobre personagens importantes e suas influências no mundo de Mare Barrow. E os conflitos rubros e prateados continuarão! O quarto livro da série será lançado em 2018, ainda sem mais informações no momento.

 

Livros lançados com o título original em inglês. Da esquerda pra direita – “Coroa Cruel”, “A Rainha Vermelha”, “Espada de Vidro” e “A Prisão do Rei”

 

Título: A Rainha Vermelha / Espada de Vidro / A Prisão do Rei / Coroa Cruel Autor: Victoria Aveyard Editora: Seguinte Gênero: Distopia, aventura, romance